Um pouco da banalidade do nosso Brasil

Ok que o Brasil é um berço de culturas e tal. Mas até aew usar do ridículo como algumas bandas, se é que podemos chamar assim, vem fazendo é muita “falta de sacanagem” como diria a fã do restart e afins.

Já não bastava os funks cariocas que agora tem vertentes paulistas que não fazem nada além de denegrir nossa imagem como homens de verdade e de mulheres de verdade, cantando sobre pegar as novinhas, que mulher é tudo safada e blablabla…. Agora os axès da vida, que até 98/97 eram MUITO BONS diga-se a verdade sobre, hj estão apelando demais. Depois do melô da liga da justiça, que o Diogo, ex-bbb frustado que saiu do programa achando q ia ser o campeão e ganhou título de chato p/ caraleo , agora tem a porcaria, lixo e totalmente no sense do Street Figther .. é de deixar qualquer um louco da vida com nossa música mesmo.

Segue a sandisse de alguns brasileiros

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Inserido no contexto

Nos anos setenta um músico baiano de voz rouca fez sucesso no Brasil. Era Paulo Diniz, cujo maior sucesso foi “Quero voltar pra Bahia”. Mas havia outra música no lado B do compacto, “Ponha um arco-íris na sua moringa”:

“Ponha um arco-íris na sua moringa ai ai ai
É lúcido é válido, inserido no contexto ai ai ai”

Aquele “inserido no contexto” fazia parte do repertório d’O Pasquim, que gozava os intelectuais que tentavam traduzir as correntes de pensamento filosófico pós-1968 utilizando termos complicados. Era só abrir o jornal pra ver um cartum onde o sujeito perguntava para a boazuda: “posso inserir no seu contexto?”.

Contexto é o “pano de fundo” de um evento, que determina como o evento é interpretado. Usando um exemplo de que gosto muito: a frase “só sei que nada sei”, que Sócrates formulou para mostrar que sábio é aquele que tem consciência de sua ignorância, muda completamente de significado quando colocada noutro contexto. Na boca de Lula, por exemplo.

O tempo passou, o Pasquim passou, Paulo Diniz sumiu, mas nunca foi tão importante observar o contexto antes de formular uma opinião.
Não escapei da onda. Escrevo à luz do recente escândalo da campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, quando a vida pessoal de seu oponente, Gilberto Kassab, passou a ser questionada na propaganda petista.

Mas, afinal, que mal há em perguntar se o sujeito é casado e tem filhos? Nenhum. Isso cansa de acontecer com todo mundo. Em entrevistas de emprego, na hora de fazer um crediário, ao abrir conta em banco, numa conversa informal… Saber se a pessoa é casada e tem filhos ajuda a ter uma idéia de quem a pessoa é. E essa informação jamais define o caráter da pessoa. Mas essas cândidas perguntas, quando inseridas no contexto da campanha eleitoral, deixam de ser cândidas.

A propaganda de Marta afirma que Kassab tem um passado misterioso envolvendo gente desonesta que causou prejuízos à cidade e ao eleitor. Portanto saber de onde ele veio e com quem anda revelaria suas (más) intenções.

Nesse contexto, perguntar se ele é casado e tem filhos transforma-se em juízo de valor: além de andar com gente suspeita, não é casado e não tem filhos. Portanto não é confiável. E – horror – talvez seja… gay!

Muitos simpatizantes tentam eximir a candidata dessa grossura eleitoral usando o clássico petista 1: “ela não sabia”. Outros usam o clássico petista 2: “mas a direita usou o mesmo método antes”. Alguns usam o clássico petista 3: o da vitimização. Ninguém foi tão alvo de preconceitos como Marta Suplicy. Portanto ela tem o direito de revidar. Falta só o clássico 4: “foi um tucano infiltrado.”

Que tal entender o contexto recorrendo aos intelectuais do PT?
João Santana, o marqueteiro de Lula, questionado sobre a desonestidade de usar na campanha para a reeleição em 2006 uma mentira, no caso a idéia de que as privatizações tinham sido um mau negócio para o Brasil, saiu-se com esta: “Eu trabalho com o imaginário da população. Em uma campanha, nós trabalhamos com produções simbólicas. Não considero que exista aí desonestidade, pois o tema foi, pelo menos, discutido.”
Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, quando perguntado se não era constrangedor ver Lula ao lado de mensaleiros disse: “Constrangedor é não ter votos”.

Pra esses caras, botar um arco-íris na moringa do Kassab é lúcido, é válido e inserido no contexto. Seja lá qual for o contexto.
E quer saber? Até que está saindo barato pro Kassab.

Retirado do
wWW.lucianopires.com.br

Em tempos teremos Kassab em São Paulo e Gabeira no Rio… purpurina para todo lado.